Ciberdemocracia:
A Internet e a Esfera Pública


Mark Poster


Eu estou no comercial de uma versão própria.
(David Byrne)

Os marcos da questão

A discussão do impacto político da Internet tem focado um grande número de assuntos: acesso, determinismo tecnológico, criptografia, mercantilização, propriedade intelectual, esfera pública, descentralização, anarquia, gênero e etnicismo. Enquanto esses assuntos podem ser discutidos por uma série de pontos de vista, somente alguns deles estão aptos para avaliar a completa extensão do que está em jogo nas novas tecnologias da comunicação no plano cultural da formação de identidade. Se questões são enquadradas em relação à estrutura política predominante, forças e ideologias cegas estão sendo impostas excluindo a questão do assunto ou a construção de identidade do domínio da discussão. Instâncias tão aparentemente urgentes, mas limitadoras de questões, são aquelas de criptografia e mercantilização. No caso de criptografia, o governo dos Estados Unidos procurou proteger suas fronteiras de "terroristas" que poderiam usar a Intenet de maneira a ameaçá-lo. Os perigos para a população estão e sempre têm estado longe desse mesmo aparato do Estado que dos chamados terroristas. Se as prospecções da democracia na Internet são vistas em termos de encriptação, então a segurança da sobrevivência do governo nacional chegou ao limite do problema: o que é seguro para o estado-nação é considerado como segurança para todos, ou seja, uma proposição altamente duvidosa [1]. A questão do potencial para novas formas do espaço social, a fim de autorizar indivíduos em novos caminhos, é privada em favor de preservar a relação de forças existentes e personificadas no Estado.

O tema mercantilização também deixa um foco limitado, freqüentemente restringindo a discussão de políticas da Internet em questões de quais corporações estarão habilitadas para obter determinadas somas de rendimento de certa configuração da Internet. Será a companhia de telefone, a companhia a cabo ou alguma outra empresa que será apta de segurar adequadamente o mercado e os lucros provenientes do público em geral por meio de inúmeros canais de televisão, na demanda pela escolha do cinema e tantos mais? As questões que este ponto de vantagem provocou foram as seguintes: poderá a Internet ser usada para distribuir produtos de entretenimento, como alguns parques temáticos gigantescos e virtuais? Ou poderá isso ser usado para enviar mercadorias, funcionando como uma loja eletrônica de varejo ou shopping center ? Essas questões preocupam diretores de corporações em todo o país e seus críticos marxistas da mesma maneira, embora neste caso novamente em relação ao assunto criptografia, a Internet está sendo entendida como uma extensão de, ou substituição das instituições existentes.

Enquanto não há dúvida que a Internet prega na existência social funções, estendendo-as em novos caminhos, traduzindo o ato de compra em uma forma eletrônica, são de longe mais convincentes que os termos políticos da Internet e os caminhos em que ela institui novas funções sociais, não se combinam facilmente dentro daquelas organizações caracteristicamente modernas. O problema é que essas novas funções somente podem chegar inteligíveis se a estrutura que as adotou não fizerem limite, de início, a discussão do padrão moderno de interpretação. Por exemplo, se alguém entende política como a restrição ou expansão da sobrevivência dos ramos executivo, legislativo e judiciário do governo, outro não estará totalmente apto a desenvolver a questão dos novos tipos de participação no governo. Pergunta-se, então, sobre se a relação da Internet na democracia é desafiar nossa existência teórica aproximando-se dessas questões.

Se um parêntese da teoria política, que acessa modernas instituições governamentais em ordem, avalia as possibilidades pós-modernas sugeridas pela Internet, duas dificuldades imediatamente emergem: 1ª. Não existe teoria pós-moderna adequada de política [2]. O tema democracia, a norma política dominante e ideal, é ele mesmo uma categoria moderna associada com o projeto de esclarecimento. Permita-me discutir esses assuntos em partes.

Recentemente teóricos tais como Philippe Lacoe-Labarthe e Jean-Luc Nancy têm apontado para as limitações de um espectro "esquerdo/direito" de ideologias para o discurso da política contemporânea. Derivando das disposições preparativas dos legisladores durante a Revolução Francesa de 1789, o moderno espectro ideológico inscreve uma grande narrativa de libertação que contém muitos aspectos problemáticos. O mais importante desses, para nosso propósito, é que tal esclarecimento narrativo estabelece um processo de libertação para o coração da história que requer para si uma base pré-social, fundamental de identidade individual. O individual é apresentado como externo e a priori da história, somente depois chegando enredado em correntes externamente impostas. Políticas dessa moderna perspectiva estão, dessa forma, na árdua extração de um agente autônomo do contingente de obstáculos impostos pelo passado. Nessa investida para a ontologia da liberdade, a moderna visão do sujeito esconde o processo de sua construção histórica. Uma orientação pós-moderna teria de levar em conta a constituição de identidade dentro do social e dentro da linguagem, substituindo a questão da liberdade de uma pré-suposição e de uma conclusão da teoria para chegar, contrariamente, a uma pré-teoria ou de preferência a um discurso não fundamental.

Teorias pós-modernas têm descoberto a insistência das teorias modernas para a liberdade do sujeito, sua compulsão, repetidas inscrições na assinatura do discurso de agentes resistentes, funções para restringir o modelo de identidade de suas formas modernas, um tanto que contribuindo para emancipação. Teorias pós-modernas, então, precisam resistir ontologicamente a qualquer forma de sujeito, enquanto simultaneamente insistem na construtibilidade da identidade. No esforço para evitar as ciladas da moderna teoria política, então, teorias pós-modernas agudamente restringem as oportunidades das habilidades daquela para definir uma nova direção política.

Mas existem mais dificuldades em estabelecer uma posição do que reconhecer e analisar o aspecto cultural da Internet. Teorias pós-modernas continuam invocando o moderno termo democracia , ainda mais quando esse é modificado pelo adjetivo "radical" como no trabalho de Ernesto Laclau [3]. Alguém pode caracterizar pós-moderno, ou democracia pós-marxista, nos termos de Laclau como alguém que abre novas perspectivas de discurso, autoriza e previamente exclui grupos e inabilita novos aspectos da vida social para tornar parte do processo político. Enquanto a Internet é acusada de elitismo (meros trinta milhões de usuários), lá faz existir um crescente e vibrante cerne de participação em sua organização em parte pelas bibliotecas públicas locais [4]. Mas não são essas iniciativas, os modernos céticos podem insistir, simples extensões da existência de instituições políticas sendo um tanto "pós" e representando uma quebra de algum tipo? Em resposta, eu posso afirmar somente que a posição "pós-moderna" não necessita ser tomada como uma afirmação metafísica de uma nova era. Teóricos são apanhados em armadilhas, dentro da existência de tantas estruturas, que podem se tornar críticos delas mesmo desejando não o ser. Na ausência de um programa coerente de alternativa política, o melhor que se pode fazer é examinar o fenômeno tal qual a Internet em relação às novas formas da velha democracia, enquanto mantém aberta a possibilidade que o que emerge não ser democracia em qualquer forma que nós podemos conceber dado nosso conhecimento do presente. Democracia, por via de regra, é certamente preferível para suas alternativas históricas. E o termo pode ainda conter potenciais críticos desde que existam formas de democracia certamente não cumpridas na promessa de liberdade e igualdade. A colonização do termo por instituições existentes encoraja alguém a olhar, de outro lugar, para o significado do nome de novos modelos de relações de forças que emergem em certas partes da Internet.

Tecnologia descentralizada

Minha constatação, para a indulgência com as limitações da posição pós-moderna na política, rapidamente ganha credibilidade quando a velha questão do determinismo tecnológico é posta em contato com a Internet. Quando a questão da tecnologia é apresentada, nós imediatamente vemos como a Internet perturba a suposição básica de velhas posições. A Internet é acima de tudo um sistema de comunicação descentralizado. Tal como as linhas de telefone, alguém que acessou a Internet pode iniciar uma conversa, enviar uma mensagem que ele ou ela compôs para um ou múltiplos destinatários, assim como receber mensagens. A Internet é também descentralizada para um nível básico de organização desde que, como um conjunto de redes, novas delas possam ser adicionadas tal qual for a quantidade de certos protocolos de comunicação. Eu acho tão fascinante que essa estrutura única possa emergir da confluência de comunidades culturais, que parecem ter pouco em comum: o Departamento de Defesa da Guerra Fria, que tentou sobreviver contra ataque nuclear promovendo descentralização; o ethos contador-cultural de engenheiros programadores de computador, que mostram um profundo desgaste por algumas formas de chips -censores ou ativos contidos de comunicação, e o mundo de pesquisas nas universidades, que não tenho tempo de caracterizar. Aliado a isto está um substrato tecnológico de dígitos eletrônicos que unificam todos tipos de símbolos em um único sistema de códigos, tornando fáceis a transmissão instantânea e a duplicação. Se a estrutura tecnológica da Internet institui menores custos de reprodução instantânea, disseminação e radical descentralização, qual pode ser seu efeito sobre a sociedade, a cultura e as instituições políticas?

Pode haver somente uma resposta para essa questão, e essa é a questão errada. Tecnologicamente, determinados efeitos derivam de um largo conjunto de suposições em que o que é tecnológico é uma configuração de materiais que produzam outros materiais, e a relação que existe entre tecnologia e homem é externa, isto é, onde há existência humana essa é compreendida como manipuladora de materiais que são impostos sobre a tecnologia por meio de uma pré-constituição de subjetividade. Mas o que a tecnologia da Internet impõe é uma desmaterialização da comunicação e, em muitos desses aspectos, uma transformação da posição do sujeito individual que prende-se a ela. A Internet resiste à condição básica para questionar os efeitos da tecnologia. Ela instala um novo regime de relações entre homens e matéria e entre matéria e não-matéria, reconfigurando a relação da tecnologia para a cultura e ainda minando o ponto de vista dentro do qual, no passado, havia um discurso desenvolvido – que pareceu ser natural – sobre os efeitos da tecnologia. O único caminho para definir os efeitos tecnológicos da Internet é construí-la, pôr no lugar uma série de relações que constituem uma geografia eletrônica. Analisando de outra forma, a Internet é mais como um espaço social que qualquer outra coisa; seus efeitos são mais como aqueles da Alemanha que aqueles dos martelos. A intenção da Alemanha sobre o interior das pessoas é torná-las alemãs (pelo menos a maior parte); o efeito dos martelos não é fazer das pessoas martelos, embora Heideggerianos e alguns outros possam discordar, mas forçar o prego na madeira. Assim, quando nós entendemos a Internet como um martelo, estamos falhando em discernir que o propósito dela é o mesmo da Alemanha. O problema é que perspectivas modernas tendem a reduzir a Internet para um martelo. Na ilustre narrativa da modernidade, a Internet é uma ferramenta eficiente de comunicação, avançando a meta de seus usuários que a entendem como instrumento de identidades pré-constituídas.

A Internet é complexa o suficiente que pode ser vista em parte, com algum proveito, como um martelo. Se eu pesquiso as funções do banco de dados da Internet ou se eu envio e-mail tão somente para substituir correspondências, então seus efeitos podem razoavelmente serem vistos como uma mera ferramenta. Mas os aspectos da Internet que eu gostaria de me deter são aqueles que possibilitam novas formas de interação e que fazem passar pelas questões de novos tipos de relação de poder entre participantes. A questão que precisa ser respondida sobre a relação da Internet com a democracia é esta: existem novos tipos de relação ocorrendo dentro dela que sugerem novas formas de configurações de poder entre pessoas que se comunicam? Em outras palavras, existe uma nova política na Internet?

Um caminho para abordar essa questão é fazer um desvio do assunto de tecnologia e levantar novamente a questão de uma esfera pública, avaliando a extensão para qual a democracia pode tornar-se inteligível em relação à Internet. Enquadrar o assunto de natureza política da Internet em relação ao conceito de esfera pública é particularmente apropriado por causa da metáfora espacial associada com o termo. Em vez de uma referência imediata à estrutura de uma instituição, a qual é freqüentemente um argumento formal sobre procedimentos, ou para as reivindicações de um dado grupo social, os quais assumem uma certa figura de agente que eu gostaria de manter em suspense, a noção de uma esfera pública sugere uma arena de discussões, como o antigo Ágora Grego ou a prefeitura colonial da Nova Inglaterra. Se há uma esfera pública na Internet, quem a prova e como? Em particular alguém precisa perguntar: quais tipos de discussão da informação existem nessa esfera pública? Desde que ali não ocorra interação face-a-face e somente trémulos [5] eletrônicos na tela, que tipo de comunidade pode haver nesse espaço? Quais tipos de políticas desencarnadas são inscritas tão efemeramentes no ciberespaço? Modernistas mesquinhos podem contestar veemente contra, atribuindo para o fluxo de informações na Internet o digno termo "comunidade". Estão eles corretos, e se assim, que tipo de fenômeno é essa ciberdemocracia?

A internet como esfera pública

O assunto da esfera pública está no coração de qualquer reconceituação de democracia. Relações sociais contemporâneas parecem estar desprovidas de um nível básico de interatividade prática que, no passado, foi a matriz da democratização política: locus tal como o ágora , a prefeitura da Nova Inglaterra, a Igreja da aldeia, o café de casa, a taverna, a praça pública, um celeiro conveniente, um salão, um parque, uma sala de refeições, e ainda a esquina. Muitos desses lugares permanecem, mas não servem mais como centros organizados para discussão política e nem para a ação. Nisso parece que a mídia, e especialmente a televisão, têm desempenhado o papel da animada fonte de informação política e de ação. Um exemplo do valor dado à campanha da reforma de Clinton irá bastar: a força de Clinton em um momento (meio de Julho –1994) sentiu que o Congresso foi menos favorável para as suas propostas que a população em geral. Para convencer legisladores recalcitrados da vantagem da reforma nos cuidados da saúde, a administração comprou anúncios de televisão que mostraram ordinariamente cidadãos falando em favor dos planos do Presidente. Os anúncios foram exibidos somente em Washington D.C. porque eles eram direcionados não à população de expectadores em geral, mas somente aos homens e mulheres do Congresso. Tais políticas estão na era dos meios de informação. Num contexto como esse, alguém pode perguntar, onde está a esfera pública, onde é o lugar de interação dos cidadãos para formar opiniões em relação à qual a política pública precisa ser atendida? John Hartley fez o ousado e convincente argumento que a mídia é a esfera pública: "Televisão, jornais populares, revistas e fotografia, a mídia popular dos modernos periódicos, são o domínio público, os lugares e os meios pelos quais o público é criado e nos quais têm vida." [6]

Sentindo um colapso da esfera pública e por isso uma crise de democracia política, Jürgen Habermas publicou The Structural Transformation of the Public Sphere (A Transformação Estrutural da Esfera Pública) em 1962 [7]. Nesse trabalho muito influente, ele traçou o desenvolvimento de uma esfera pública democrática nos séculos XVII e XVIII assim como seu curso e declínio no século XX. A partir daquele trabalho, passou-se a discutir como a intenção política de Habermas foi avançar "o projeto de Esclarecimento" pela reconstrução de uma esfera pública em que a razão pode prevalecer, não a razão instrumental de muitas práticas modernas, mas a razão crítica que representa o melhor da tradição democrática. Habermas definiu a esfera pública como um domínio de conversação não-coagida, orientado para um acordo pragmático. Sua posição veio sob ataque de pós-estruturalistas como Lyotard que questionou o potencial emancipatório desse modelo de consenso através do debate racional [8]. Mais recentemente, Rita Felski tornou-se marxista, feminista, e pós-estruturalista, crítica do ideal de esclarecimento de Habermas, do sujeito autônomo racional como uma fundação universal para democracia [9]. Para Felski o conceito de esfera pública precisa construir na "experiência" de protesto político (no sentido de Negt e Kluge ), precisa reconhecer e ampliar a multiplicidade de sujeitos (no sentido de pós-estruturalismo) e também contar com as diferenças de gênero (no sentido de feminismo). Ela escreve:

Diferente da esfera pública burguesa, então, a esfera pública feminista não reivindica uma universalidade representativa, mas antes oferece uma crítica de valores culturais do ponto de vista de mulheres como um grupo marginalizado dentro da sociedade. Nesse sentido ela constitui um parcial ou parte da esfera pública... Ainda na medida que ela é uma esfera pública, seus argumentos são também externamente dirigidos, para a disseminação de idéias e valores feministas pela sociedade inteira. [10]

Felski revisou seriamente a noção ‘ habermasiana' de esfera pública, separando ela de seu patriarcal burguês e talvez símbolos acessórios, mas ainda invocando a noção de uma esfera pública e mais ou menos reduzindo política para ela. Isso tornou-se claro na conclusão do seu argumento:

Alguma forma de apelo para identidade coletiva e solidariedade é uma pré-condição necessária para a emergência e efetividade de um movimento de oposição; teorias feministas que rejeitem qualquer noção de uma identidade unificada como uma ficção repressiva a favor de uma ênfase na diferença absoluta, falham por mostrar como tal diversidade e fragmentação podem ser conciliadas com metas orientadas sobre debates políticos baseados sobre interesses comuns. Um apelo para uma experiência compartilhada de opressão sustenta o ponto de partida de que mulheres em grupo podem expandir aspectos da problemática de gênero, ao mesmo tempo em que essa noção de comunidade definida pelo gênero contém uma dimensão fortemente utópica... [11]

No fim, Felski vê a esfera pública como centro para políticas feministas. Mas então nós precisamos perguntar: como é essa esfera pública para ser distinguida de qualquer discussão política? Do auge dos ideais impossíveis de Habermas (contador-fatual) de comunicação racional, a esfera pública aqui multiplica, abre e estende para a discussão política todos os indivíduos oprimidos.

O problema que nós enfrentamos é definir o termo "pública". Teoria liberal geralmente recorre para a antiga Grécia na distinção entre a família ou casa-segura e a pólis, o primeiro sendo "privado" e o último "público" [12]. Quando o termo cruza a fronteira da política para a teoria econômica, com Ricardo e Marx , uma complicação instala-se: o termo "economia política" combinou o sentido grego de público e o sentido grego de privado desde que a economia, referida por eles, seja para o governo (privado) da casa. O velho uso preservou o espaço para o público no ágora , esteja certo, mas referiu-se a discussões sobre o bem geral, não sobre o mercado de transações. No novo uso o setor econômico é chamado "economia política" mas é considerado "privado". Tornando pior a discussão, conversas comuns atualmente têm o termo "privado" designando discursos e ações que são isoladas, não-observadas por alguém e não recordadas ou monitoradas por qualquer máquina. Privacidade agora torna-se restrita para o espaço da casa, em um sentido retornando para o uso da antiga Grécia, até mesmo através da estrutura familiar alterada dramaticamente em seu interim . No argumento de Fraser , por exemplo, a esfera "pública" é o oposto de esfera "privada" no sentido que ela é um locus do "falar", "um espaço em que cidadãos deliberam sobre seus assuntos comuns..." [13] e é essencial para a democracia. Há sérios problemas, então, em usar o termo "público" em relação a políticas de emancipação.

Essa dificuldade é ampliada consideravelmente uma vez que novos eletrônicos que mediam comunicações são levados em conta, em particular a Internet. Agora a questão de "falar", de encontro face-a-face, do discurso "público" é confundida e complicada pelas formas eletrônicas das trocas de símbolos. Se o discurso "público" existe como pixels na tela, gerado em locais distantes por pessoas que nunca tiveram e provavelmente nunca terão um encontro, como é o caso da Internet com suas "comunidades virtuais" e "cafés eletrônicos", então como ela é distinguida de correspondências "privadas", face impressa e assim por diante? A era da esfera pública como fala face-a-face é claramente maior: a questão da democracia precisa doravante levar em conta novas formas de discursos mediados eletronicamente. Quais são as condições do discurso democrático no modo de informação? Que tipos de "sujeitos" falam ou escrevem ou comunicam nessas condições? Qual são as suas relações com as máquinas? Que conjunto de sujeitos, corpos e máquinas são exigidos para o discurso democrático e ação emancipadora? Para Habermas , a esfera pública é um espaço homogêneo de sujeitos personificados em relações simétricas, perseguindo consenso através da crítica de argumentos e a apresentação de afirmações válidas. Esse modelo, eu afirmo, é sistematicamente negado nas arenas da política eletrônica. Nós estamos aconselhando então que o conceito de esfera pública de Habermas , que classifica a Internet como um domínio político, seja abandonado.

Agora que a pesada cultura de máquinas de informações supre a interface para muitos, se não a maioria dos discursos em assuntos políticos, a ficção da comunidade democrática da completa presença humana serve somente para obscurecer a reflexão crítica e desviar o desenvolvimento de uma teoria política dessa decididamente condição pós-moderna. Por muito tempo, teorias críticas têm insistido em uma esfera pública, lamentando o fato da "interferência" da mídia, a indiferença do primeiro rádio e então o papel da televisão na política. Mas o fato é que o discurso político tem sido por muito tempo mediado pelas máquinas eletrônicas: o assunto agora é que as máquinas possibilitam novas formas de diálogo descentralizado e criam novas combinações de homem-máquina reunidos, novas "vozes" individuais e coletivas, "espectros", "interatividades", que são os novos blocos construídos de formação política e agrupamentos. Como Paul Virilio escreveu, "O que resta da noção de coisas 'públicas' quando imagens públicas (no tempo real) são mais importantes que espaço público?" [14] Se a base tecnológica da mídia tem habitualmente sido vista como uma ameaça para a democracia, como podem teorias contar com a mudança para uma construção de tecnologia (a Internet) que aparece para promover uma descentralização do discurso se não a própria democracia e aparece para ameaçar o Estado (conversas não monitoradas) zombando da propriedade privada (a reprodução infinita da informação) e exibindo propriedade imoral (a disseminação de imagens de pessoas nuas freqüentemente em posições desajeitadas)?

Uma tecnologia pós-moderna

Muitas áreas da Internet ampliam identidades pré-existentes e instituições. Grupos de notícias Usenet extraem detestáveis peças de garotos adolescentes; bancos de dados possibilitam pesquisadores e corporações recuperar informações a baixo custo; correspondências eletrônicas permitem rápida e confiável comunicação de mensagens; a digitalização de imagens permite uma ampla distribuição de materiais eróticos, e assim por diante. A Internet, então, é moderna no sentido de continuar a tradição de ferramenta eficiente e no sentido que sobrepuja culturas modernas transferindo suas características para o novo domínio. Outras áreas da Internet, no entanto, são menos fáceis de conter dentro dos modernos pontos de vista. O exame desses ciberespaços levanta o assunto de uma nova compreensão da tecnologia e finalmente conduz para uma reavaliação dos aspectos políticos da Internet. Eu me refiro aos grupos de discussões, que tem vindo para ficar, conhecidos como "comunidades virtuais", para o fenômeno MOO e para a síntese da tecnologia da realidade virtual.

Nesses casos, o que está em jogo é a solicitação direta para a construção de identidades no curso das práticas de comunicação. Usuários inventam sobre si próprios e fazem isso repetida vezes e de diferentes formas ao longo da conversação ou mensagem eletrônica. Agora certamente não há nada de novo nas práticas discursivas que estão tão caracterizadas: lendo um romance [15], falando na rádio CB, e mesmo assistindo a um comercial de televisão, eu afirmo, todos em vários graus e diferentes caminhos incentivam o indivíduo a formar uma identidade no curso de envolvimento em comunicação. Em um MOO, a comunicação precisa de atos lingüísticos de próprio posicionamento que são muito mais explícitos que nos casos da leitura de uma novela ou assistindo um comercial de televisão. Na Internet, indivíduos lêem e interpretam meios de comunicação para eles mesmos, e para outros, e também respondem formando frases e transmitindo-as. Novelas e comerciais de televisão são interpretados por indivíduos que são interpelados por elas, mas esses leitores e espectadores não são diretamente endereçados, somente como uma audiência geral e, aliás, eles não respondem em completas atitudes lingüísticas articuladas.

Eu evito enquadrar a distinção que faço aqui no binário ativo/passivo porque essa dística é tão associada com os modernos agentes autônomos que isso seria parecer que estou pintando a Internet como a realização do moderno sonho universal, discurso "ativo". Eu refuto esse recurso porque ele se apóia sobre a noção de identidade como uma essência fixa, pré-social e pré-lingüística, enquanto eu quero argumentar que o discurso na Internet constitui o sujeito como alguém que se auto modela.

Na Internet, indivíduos constroem suas identidades em relação com o curso dos diálogos, não como atos de sã consciência. Mas tal atividade não conta com a liberdade no sentido marxista-liberal porque ela não volta a referir um sujeito fundacional. Ainda isso conota uma "democratização" da constituição do sujeito, porque os atos do discurso não são limitados para um caminho e não são constrangidos pelo gênero e traços étnicos inscritos na face dos meios de comunicação. A "mágica" da Internet é que ela é uma tecnologia que coloca ações culturais, simbolizadas em todas as formas, nas mãos de todos participantes; isso descentraliza radicalmente a posição de linguagem discursiva, editando, fazendo filmes, transmitindo rádio e televisão, em resumo os equipamentos de produção cultural.

Gênero e comunidades virtuais

Vamos examinar o caso de gênero na comunicação pela Internet como um caminho para esclarecer o que está em jogo e remover algumas prováveis confusões sobre o que eu estou argumentando. Estudos têm mostrado que a ausência de gênero, deixada no quadro dos grupos de discussões, não eliminaram a sexualidade ou até mesmo as hierarquias de gênero que existem na sociedade em geral [16]. As desvantagens sofridas pelas mulheres na sociedade sustentam-se por entre as "comunidades virtuais" na Internet: Elas são sub-representadas nesses locais eletrônicos e são subjugadas por várias formas de perseguição e abuso sexual. O fato dessas identidades sexuais não serem designadas na Internet elimina os incômodos e as mágoas de patriarcas. O caso de "Joan" é instrutivo a esse respeito. Um homem chamado Alex apresentou-se pessoalmente em um grupo de discussão como uma mulher incapacitada, "Joan". Para aprender como se portar, ele observava as conversas das mulheres. Van Gelder relatou que quando sua "manha" foi descoberta, muitas das mulheres que interagiam com "Joan" ficaram profundamente magoadas. Mas Van Gelder também afirmou que o maior desapontamento foi que "Joan" não existia [17]. A construção de gênero, nesse exemplo, indica um nível de complexidade não relatado pela suposição, sobre se as formas culturais e sociais são ou não são transferíveis para a Internet. Alex voltou para a comunidade virtual para compensar a percepção da falta de traços femininos em sua identidade sexual masculina. A mulher que sofreu seu estratagema lamentou a "morte" da amiga virtual "Joan". Esses são os únicos casos de comunidades virtuais não facilmente encontrados na "realidade". Ainda, nos piores casos, alguém precisa admitir que o mero fato de comunicar, sob as condições da nova tecnologia, não cancela as marcas das relações de poder constituídas sob as condições face-a-face, impressas e intercambiadas por meios eletrônicos de transmissão.

Apesar disso, as condições estruturais de comunicação em comunidades na Internet fazem introduzir resistências e quebras com essas determinações de gênero. O fato de decidir sobre qual gênero representar levanta o assunto de identidade individual em um estilo obrigatório e singular. Se alguém é masculino, ele precisa escolher ser assim. Além disso, alguém precisa desempenhar o gênero escolhido em linguagem e só em linguagem, sem quaisquer marcas ou gestos do corpo, sem roupas ou entonação de voz. O gênero apresentado é consumado unicamente através de meios textuais, embora esse inclua vários ícones inventados em comunidades eletrônicas tal como o sorriso [:-)] e suas variações. Também, alguém pode experimentar diretamente o gênero oposto, assumindo-o e desempenhando-o nas conversas. Finalmente, a configuração particular da conversa, através de computadores e modens , produz uma nova relação para como o corpo irá se comunicar, ou seja, um ciborgue no ciberespaço que é diferente de todos os gêneros personificados nos modos anteriores da informação. Esses gêneros ciborgue testam e transgridem as fronteiras do moderno sistema de géneros, sem necessariamente qualquer inclinação de direção no papel de participante [18].

Enquanto e-mails comuns, entre já conhecidos, claramente não apresentam fortes perturbações do sistema de gênero, socialmente orientados MUDs e MOOs tipicamente, fazem desempenhar as mais avançadas possibilidades de construção da identidade pós-moderna. Aqui identidades são inventadas e mudadas; auto-descrições são utilizadas; domicílios são pintados em forma textual e indivíduos interagem puramente por gostar de fazer isso. Habitantes do MOO, no entanto, não gostam de democracia utópica. Lá existem hierarquias específicas para essa forma de ciberespaço: os programadores que constroem e mantém o MOO têm habilidades para mudar regras e procedimentos que não estão disponíveis para os jogadores. Depois desses "deuses" vêm os “mágicos”, aqueles que acumularam certos privilégios pelas participações anteriores. Outro, mas de critério muito mais trivial de diferenciação política, é a habilidade típica, desde que essa determine em parte o que fala mais freqüentemente, especialmente aquelas conversas que circulam com uma considerável velocidade. Até mesmo no ciberespaço assimetrias que emergem podem ser chamadas de "desigualdades políticas". Ainda a característica saliente da comunidade virtual é a diminuição de hierarquias predominantes de raça, classe e especialmente gênero. O que aparece no mundo personificado como hierarquia irredutível representa um papel menor no ciberespaço de MOOs. E, como resultado, a relação de ciberespaço e material de geografia humana é decididamente a de ruptura e contestação. Comunidades da Internet funcionam como lugares de diferença e resistência da sociedade moderna. Em um sentido, elas servem a função de uma esfera pública “ habermasiana” sem intencionalmente o sê-la. Elas são locais, não da presença de afirmações validadas ou atualmente de razão crítica, mas da inscrição de novas reuniões de auto-constituição. Quando áudio e vídeo realçam o modo corrente de texto da conversa as afirmações dessas realidades virtuais podem até ser mais exigentes [19]. À queixa sobre a qual essas aldeias eletrônicas não são mais do que escapismo de branco, estudantes machos não graduados, podem então tornar-se menos convincente.

Política ciborgue

O exemplo da desconstrução de gênero em comunidades MOO da Internet sublinham a importância de políticas teorizadas no meio de informação. Pelo fato de a Internet inscrever a nova figura social do ciborgue e instituir uma prática comunicativa de constituição própria, a política como nós conhecemos é reconfigurada. A embalagem de linguagem na Internet, sua digitalização máquina-mediada, significa que num espaço sem corpos é introduzida uma singularidade sem precedentes para a teoria política [20]. Como os eletrônicos serão governados? Como suas experiências de auto-constituição repercutem na arena política existente? Como as relações de poder na Internet irão combinar com, ou influenciar as relações de poder que emergem das relações face-a-face, relações impressas e relações quebradas? Supondo que nos Estados Unidos os governantes e as corporações não formulem inteiramente a Internet, na sua própria imagem e naqueles locais de ciberdemocracia restantes e espalhados por vastos e vastos segmentos da população, o que emergirá como uma política pós-moderna?

Uma possibilidade é que a natureza de autoridade, como nós conhecemos, irá mudar drasticamente. A autoridade política tem evoluído da personificação das linhagens, na Idade Média, para ser instrumentalizada por eleitores e mandatos racionais na era Moderna. A cada estágio, uma certa aura tem sucedido de modo fetichista, apegada aos portadores de autoridade. Em comunidades da Internet, tal aura é mais difícil de suportar, pois a Internet parece desestimular o dote de indivíduos com status inflado. O exemplo de pesquisa erudita ilustra o ponto. A formação dos cânones e autoridades é seriamente minada pela natureza eletrônica dos textos. Textos tornam-se "hipertextos" que são reconstruídos no ato de leitura, transformando o leitor em um autor e perturbando a estabilidade dos experts ou "autoridades" [21]. Se a autoridade erudita é contestada e regenerada pela localização e disseminação de textos na Internet, então é possível que autoridades políticas fiquem sujeitas a um fato similar. Se o termo democracia se refere à soberania de personificação dos indivíduos e ao sistema de portadores da função por eles determinada, um novo termo será exigido para indicar a relação de líderes e seguidores, que é mediada pelo ciberespaço e constituída em relação às identidades móveis ali encontradas.

 

NOTAS DO AUTOR


1 Para uma revisão mais avançada da batalha sobre encriptação veja Steven Levy, “The Battle of the Clipper Chip”, The New York Times Magazine (June 12, 1994), pp.44-51, 60, 70.
2Philippe Lacoue-Labarthe, Heidegger, Art and Politics, trans. Chris Turner (New York: Blackwell, 1990) e Jean-Luc Nancy, The Inoperative Community, trans. Peter Conor et al. (Minneapolis: University os Minnesota Press, 1991).
3Ernesto Laclau, New Reflections on the Revolution of Our Time (New York: Verso, 1990).
4Veja Jean Armour Polly e Steve Cisler, “Community Networks on the Internet”, Library Journal (June 15, 1994), pp.22-23.
5. Veja N. Katherine Hayles, “Virtual Bodies and Flickering Signifiers”, October 66 (Fall 1993), pp. 69-91.
6Para a compreensão do papel da mídia na formação da esfera pública veja John Hartley, The Politics of Pictures: The Creation of the Public in the Age of Popular Media (New York: Routledge, 1992), p. 1. Hartley examina em particular o papel das imagens gráficas nos jornais.
7 Jürgen Habermas, The Structural Transformation of The Public Sphere, trns. Thomas Burger (Cambridge: MIT Press, 1989).
8Jean-François Lyotard, The Postmodem Condition, trnas. Brian Massumi et al. (Minneapolis: University of Minnesota Press, 1984).
9 Veja, por exemplo, Oskar Negt e Alexander Luge, Public Sphere and Experience: Toward an Analysis of the Bourgeois and Proletarian Public Sphere, trans. Peter Labanyi et al. (Minneapolis: University of Minnesota Press, 1993) e Nacy Fraser, “Rethinking the Public Sphere”, Social Text 25/26 (1990), pp. 56-80 e Unruly Practices (Minneapolis: University of Minnesota Press, 1989), especialmente o capítulo 6, “What's Critical about Critical Theory? The Case of Habermas and Gender”. Para uma crítica de Habermas e uma análise histórica veja Joan Lendes, Women and The Public Sphere in the Age of The French Revolution (Ithaca: Cornell University Press, 1988).
10 Rita Felski, Beyond Feminist Aesthetics: Feminist Literature and Social Change (Cambridge: Harvard University Press, 1989), p.167.
11 Ibid., pp.168-169.
12 Veja a discussão sobre a privacidade em relação à vigilância eletrônica em David Lyon , The Electronic Eye: The Rise of Surveillance Society (Minneapolis: University of Minnesota Press, 1994), pp. 14-17.
13Fraser, “Rethinking the Public Sphere”, pp. 57, 55.
14Paul Virilio, “The Third Interval: A critical Transition”, em Verena Conley , ed., Rethinking Technologies (Minneapolis: University of Minnesota Press, 1993), p. 9.
15 Marie-Laurie Ryan, “Immersion vs. Interactivity: Virtual Reality and Literary Theory”, Postmodem Culture 5:1 (September, 1994) apresenta uma refinada e complexa comparação entre ler um romance e uma realidade virtual, embora o autor não vá direto ao assunto dos MOOs e das Comunidades Virtuais na Internet.
16 Lynn Cherny, “Gender Differences in Tex-Based Virtual Reality”, em Mary Bucholtz , ed., Proceedings of the Berkeley Conference on Women and Language, (Berkeley: University of California, 1994) conclui que o homem e a mulher tem um gênero específico de comunicação nos MOOs. Para uma análise de um boletim de conversação que alcança a mesma conclusão pessimista veja Susan C. Herring, “Gender and Democracy in Computer-Mediated Communication”, Electronic Journal of Communications 3:2 (1993) (pode ser encontrado em info.curtin.edu.au na diretoria Journals/ curtin/ arteduc/ ejcrec/ Volume 03/ Number 02/ herring.txt).
17Lindsy Van Gelder, “The Strange Case of the Electronic Lover”, in Charles Dunlop e Rob Kling, ed., Computerization and Controversy (New York: Academic Press, 1991), p. 373.
18 Para uma ótima leitura sobre as implicações culturais das comunidades virtuais veja Elizabeth Rei, “Cultural Formations in Text-Based Virtual Realities”, e o ensaio eletrônico em ftp.parc.xerox.com em pub/ Moo/ Papers; também aparece em “Virtual Worlds: Culture and Imagination”, em Steve Jones , ed., Cybersociety (new York: Sage, 1994), pp. 164-183.
19 Para a discussão desses novos desenvolvimentos veja “MUDs Grow Up: Social Virtual Reality in the Real World”, por Pavel Curtis e David ª Nichols (ftp://ftp.parc.xerox.com:/pub.Moo.Papers/MUDsGrowUp.txt)
20 Sobre este tópico veja o importante ensaio de Hans Ulrich Gumbrecht, “A Farewell to Interpretation”, em Hans Ulrich Gumbrecht e K. Ludwig Pfeiffer, ed., Materialities of Comunication, trans. William Whobrey (Standford: Standford University Press, 1994), pp. 389-402.
21 “The Scholar's Rhizome: Networked Communication Issues” por Kathleen Burnett ( kburnett@gandalf.rutgers.edu ) explore este tópico com lógica convicção.


Poster, Mark (1997). Ciberdemocracy: The Internet and The Public Sphere In: David Porter (Ed), Internet Cultura. (pp. 201-218). New York and London: Routledge. A versão original deste ensaio apareceu no jornal Lusitaria.Tradução: Daví Abranchuk. Co-tradução: Flávia Dias de Souza Moraes.

Mark Poster é professor de história da Universidade da Califórnia, Irvine, cujos livros incluem "The Mode of Infomation: Poststructuralism and Social Context" (A Construção da Informação: Pós-estruturalismo e Contexto Social) (Chicago, 1990) e "The Second Media Age" (A Segunda Era da Mídia) (Polity Press, 1995). Essa seleção oferece uma revisão abrangente das perspectivas na prospecção da enfatização democrática pelos computadores e redes, incluindo o plano de fundo na esfera pública como discussão por Jürgen Habermas e Nancy Fraser.








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